Fórum Regional Sudeste fortalece a regionalização e abre novos caminhos para o Turismo Religioso no Brasil
Promovido pelo SEBRAE/ES e pela Fecomércio-ES, encontro realizado no Espírito Santo integra a iniciativa dos Fóruns Regionais do Fórum Nacional de Turismo Religioso e coloca governança, mercado, espiritualidade e desenvolvimento territorial no centro das discussões
16.08.2026 - 11:18:00 | 10 minutos de leitura

O turismo religioso brasileiro vive um
momento em que crescer já não é suficiente. É preciso organizar, integrar e
qualificar. Em um país de dimensões continentais, marcado por diferentes
expressões de fé, peregrinações, santuários, festas, patrimônios e
manifestações culturais, o grande desafio passa a ser transformar essa riqueza
em destinos estruturados, conectados e capazes de operar em escala regional.
Foi nessa perspectiva que o Espírito
Santo recebeu, entre os dias 11 e 13 de agosto, a primeira edição do Fórum da Região
Sudeste de Turismo Religioso (FORSETUR). Promovido pelo Serviço Brasileiro de
Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Espírito Santo (SEBRAE/ES)
e pela Federação
do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo
(Fecomércio-ES), o encontro materializou, no Sudeste, a
proposta de regionalização concebida pelo Fórum Nacional de Turismo Religioso.
Com o tema “Peregrinos e
Destinos: A Força da Espiritualidade no Turismo do Sudeste”, o
FORSETUR reuniu, em Vitória, representantes do Espírito Santo, Minas Gerais,
Rio de Janeiro e São Paulo, além de lideranças religiosas, gestores públicos,
empresários, pesquisadores, empreendedores e profissionais do trade turístico.
A programação colocou em debate a governança, a inovação, o mercado, o
desenvolvimento econômico, a estruturação de produtos, as experiências, a
integração territorial e o posicionamento dos destinos religiosos.
Mais do que promover um encontro
técnico, o Fórum colocou sobre a mesa uma questão estratégica: como fazer com que o
Turismo Religioso deixe de trabalhar apenas com destinos isolados e passe a
construir redes regionais de fé?
Fóruns Regionais: quando regionalizar significa integrar
A criação dos Fóruns Regionais de
Turismo Religioso amplia, nas cinco regiões brasileiras, a iniciativa do Fórum Nacional de
Turismo Religioso, permitindo que cada território discuta suas
particularidades antes de integrar uma agenda nacional.
O Brasil não possui uma única realidade
de turismo religioso. O Nordeste apresenta características distintas do
Sudeste; o Norte possui manifestações distintas do Sul; e o Centro-Oeste reúne
particularidades próprias. Dentro das próprias regiões, há diferenças
históricas, culturais, religiosas e econômicas que precisam ser consideradas.
Por isso, regionalização não pode
significar simplesmente reunir municípios em um mapa.
Regionalizar significa criar conexões.
Significa fazer com que destinos conversem
entre si, aproximar o poder público, a iniciativa privada, as instituições
religiosas, a academia e a sociedade civil, estimular roteiros integrados,
compartilhar fluxos turísticos e construir produtos capazes de aumentar a
permanência do visitante nos territórios.
O FORSETUR foi concebido justamente para
fortalecer redes de cooperação, integrar os atores envolvidos no Turismo
Religioso e contribuir para o desenvolvimento sustentável dos destinos da
Região Sudeste.
O peregrino não reconhece fronteiras administrativas
Essa talvez seja uma das principais
reflexões do encontro.
O peregrino não organiza sua experiência
de fé com base em limites municipais ou estaduais. Ele reconhece caminhos,
devoções, histórias, comunidades e lugares sagrados.
Uma peregrinação pode começar em um determinado
município, atravessar outro, chegar a um santuário e continuar em uma cidade
vizinha. Durante esse percurso, o visitante utiliza hospedagem, alimentação,
transporte, comércio, artesanato, serviços turísticos e equipamentos culturais.
Quando os destinos trabalham
isoladamente, parte dessa oportunidade é perdida. Quando trabalham em rede, o
fluxo passa a ser compartilhado e o desenvolvimento deixa de estar concentrado
em apenas um ponto.
Essa visão ajuda a explicar por que os Fóruns Regionais podem desempenhar um papel importante na regionalização do Turismo Religioso brasileiro.

Dom Ângelo Mezzari, Arcebispo de Vitória/ES, divulga implantação
da Pastoral do Turismo na Arquidiocese
Sudeste concentra uma extraordinária rede de destinos de fé
A primeira experiência regional também evidenciou
a força do Sudeste.
São Paulo abriga Aparecida e uma extensa
rede de santuários e destinos religiosos. Minas Gerais reúne Congonhas,
importantes caminhos de peregrinação, igrejas históricas, festas e santuários.
O Rio de Janeiro possui o Cristo Redentor e diferentes manifestações religiosas,
enquanto o Espírito Santo reúne o Convento da Penha, o Santuário Nacional de
São José de Anchieta, os Passos de Anchieta, o Mosteiro Zen do Morro da Vargem,
a Igreja Luterana do século XIX de Domingos Martins, além de igrejas históricas
e manifestações culturais profundamente relacionadas à fé.
O próprio FORSETUR proporcionou, em seu
terceiro dia, uma vivência técnica nos atrativos religiosos capixabas, fazendo
com que o destino anfitrião deixasse de ser apenas o local físico do evento e
se transformasse também em objeto de experiência para os participantes.
Essa é outra característica importante
da proposta regional: discutir o turismo religioso no território e permitir que
os participantes também experimentem o destino sobre o qual estão debatendo.
SEBRAE: protagonismo na promoção e no desenvolvimento do Turismo Religioso

Pedro Rigo, Superintendente do SEBRAE ES fala sobre o papel e investimento do
SEBRAE para o desenvolvimento do Turismo no Estado do Espírito Santo
Ao assumir, em conjunto com a
Fecomércio-ES, a promoção do encontro no Espírito Santo, o SEBRAE não apenas
abriu suas portas para receber o Fórum, como também o acolheu. A instituição
compreendeu o significado de ser anfitriã
de uma discussão estratégica para o desenvolvimento do segmento.
Os dois primeiros dias da programação ocorreram
na sede do SEBRAE/ES, em Vitória, e as inscrições foram abertas pela própria
instituição. O Fórum foi estruturado como um ambiente de capacitação,
integração, troca de experiências, apresentação de destinos e construção de
estratégias.
Essa atuação está diretamente
relacionada à própria natureza do Turismo Religioso.
Quando um peregrino chega a um destino,
não apenas movimenta o espaço religioso. Ao seu redor existe uma cadeia formada
por hotéis, pousadas, restaurantes, transportadoras, agências, operadoras,
receptivos, guias de turismo, artesãos, produtores culturais, comerciantes e
pequenos empreendedores.
O próprio SEBRAE/ES destacou essa
dimensão ao defender que uma cadeia turística integrada e preparada permite
transformar o fluxo de peregrinos e visitantes em oportunidades de trabalho e
renda, ao mesmo tempo em que contribui para a valorização do patrimônio e da
identidade das comunidades.
É justamente aí que o SEBRAE desempenha um
papel fundamental não apenas no Espírito Santo, mas também no desenvolvimento
do turismo religioso brasileiro: qualificar quem recebe, fortalecer pequenos
negócios, estimular a governança, apoiar a
estruturação de produtos e contribuir para que os destinos transformem potencial
em desenvolvimento.
E essa atuação não beneficia apenas o turismo
religioso. O fortalecimento dos pequenos negócios e da governança turística abrange
gastronomia, cultura, economia criativa, turismo rural, natureza, aventura e
outros segmentos que se encontram no mesmo território.
Fecomércio: comércio, serviços e turismo fazem parte da experiência do peregrino
A participação da Fecomércio-ES
como promotora do Fórum Regional Sudeste também evidencia outro aspecto
fundamental para o crescimento do segmento: Turismo Religioso também depende de uma
cadeia de comércio, serviços e turismo preparada para receber.
Um destino pode possuir um importante
santuário, uma peregrinação centenária ou uma grande festa religiosa.
Entretanto, se não possuir hospedagem preparada, alimentação adequada,
transporte, comércio, informação turística e serviços qualificados,
dificilmente conseguirá transformar fluxo em permanência e desenvolvimento.
É justamente nessa cadeia que a
Fecomércio desempenha um papel estratégico.
Ao compreender a importância do Turismo
Religioso e assumir, conjuntamente, a promoção do Fórum Regional Sudeste, a
instituição contribui para aproximar o segmento do Turismo Religioso da
atividade empresarial e reforçar que acolher bem o peregrino exige a preparação
de todo o destino.
A Fecomércio-ES já vem participando de
outras ações relacionadas ao desenvolvimento turístico capixaba e ao
planejamento de grandes manifestações religiosas. A entidade, por exemplo,
sediou o lançamento oficial do tema da Festa da Penha 2026, como parte de uma
estratégia de antecipação e de preparação do trade e do poder público para
receber os visitantes.
Esse olhar é importante porque o turismo religioso
não se limita ao espaço sagrado. Ele se espalha pela cidade e
alcança restaurantes, hotéis, lojas, transportes, artesanato, economia criativa
e inúmeros prestadores de serviços.
Quando a Fecomércio compreende essa
dinâmica e se aproxima da governança do segmento, contribui para transformar a
acolhida em desenvolvimento econômico e fortalecimento territorial.
Governança: ninguém constrói um destino religioso sozinho
Um dos grandes eixos do FORSETUR foi,
justamente, a governança.
A programação reservou espaço específico
para discutir a integração entre fé, turismo e desenvolvimento territorial,
além de abordar o mercado, a inovação, a integração do trade e o desenvolvimento
de produtos turísticos.
Essa discussão é necessária porque um
destino religioso não pertence exclusivamente ao poder público, à instituição
religiosa ou à iniciativa privada.
Existe uma corresponsabilidade.
A instituição religiosa preserva a
essência da experiência de fé. O poder público organiza a infraestrutura, as
políticas públicas e o território. A iniciativa privada presta serviços e
transforma fluxo em oportunidades econômicas. A comunidade preserva a
identidade e o pertencimento. A academia produz conhecimento. E as entidades
representativas ajudam a conectar esses diferentes atores.
É essa engrenagem que transforma a
visitação em um destino estruturado.
Espírito Santo compreendeu seu papel de destino anfitrião
Outro aspecto relevante foi a forma como
o Espírito Santo recebeu o primeiro Fórum Regional.
SEBRAE/ES e Fecomércio-ES compreenderam
que acolher um Fórum Regional de Turismo Religioso não significava apenas
disponibilizar um auditório, investir em toda a estrutura do evento e organizar
a logística de chegada e acolhida dos palestrantes, mas também permitir que o
estado mostrasse seu patrimônio, seus produtos e suas experiências.
O terceiro dia do FORSETUR foi dedicado à
vivência do Turismo Religioso capixaba, proporcionando aos participantes
contato direto com os atrativos e as iniciativas do estado.
Isso fortalece o posicionamento do
Espírito Santo para além de sua manifestação mais conhecida, a Festa da Penha,
permitindo ampliar o olhar para outros patrimônios e experiências religiosas
existentes no território.
O resultado é uma troca: o Fórum ganha
porque acontece em um destino real, enquanto o destino ganha porque recebe
profissionais capazes de conhecer, divulgar, comercializar e estabelecer novas
conexões.
Do Fórum Nacional para as regiões — e das regiões novamente para o Brasil
Os Fóruns Regionais não surgem para
substituir o Fórum Nacional de Turismo Religioso. Eles representam
uma ampliação de sua capilaridade.
A proposta é permitir que o debate
nacional chegue às regiões e, ao mesmo tempo, fazer com que as experiências,
dificuldades e soluções encontradas regionalmente retornem fortalecidas à
discussão nacional.
O próprio FORSETUR foi apresentado como
integrante da rede de Fóruns Regionais, criada para fortalecer a governança, a
integração entre os estados e o desenvolvimento dos destinos religiosos, por
meio do Fórum Nacional de Turismo Religioso. Em novembro, esse movimento
converge para Congonhas,
em Minas Gerais, para a 8ª edição do Fórum Nacional de Turismo
Religioso.
É a construção de uma via de mão dupla: o nacional fortalece
o regional e o regional alimenta o nacional.
Mais do que um evento, uma construção que precisa continuar
O primeiro Fórum Regional Sudeste deixa
uma mensagem importante para o turismo religioso brasileiro.
O Espírito Santo demonstrou sua
capacidade de acolher. O SEBRAE/ES e a Fecomércio-ES, como promotores do encontro,
demonstraram que as instituições de desenvolvimento econômico podem assumir
protagonismo na organização e no fortalecimento do Turismo Religioso.
Os quatro estados do Sudeste tiveram espaço para compartilhar experiências,
discutir governança e pensar em seus destinos para além de suas próprias
fronteiras.
Agora, o desafio é dar continuidade às
discussões.
Regionalização não pode existir apenas
no mapa. Precisa existir na governança, nos roteiros, na promoção, na
comercialização e na integração entre os destinos.
O turismo religioso brasileiro abriga
grandes santuários, peregrinações centenárias, manifestações culturais e festas
populares, acolhendo milhões de pessoas motivadas pela fé. Mas seu
fortalecimento depende cada vez mais da capacidade de transformar pontos
isolados em redes.
E essa talvez seja a principal
contribuição dos Fóruns Regionais de Turismo Religioso: fazer com que
municípios e estados deixem de olhar apenas para dentro de seus próprios
limites e passem a compreender que o peregrino percorre caminhos, conecta
destinos e movimenta territórios.
O primeiro passo foi dado no Sudeste.
Agora, a proposta é fazer essa rede avançar pelo Brasil, fortalecendo a
governança regional e chegando ao Fórum Nacional com experiências capazes de
construir um Turismo Religioso cada vez mais organizado, qualificado e
conectado — sem perder aquilo que está em sua essência: a experiência de fé.
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